sábado, 6 de dezembro de 2014

TRAÇADOS SOBRE A MORTE E A ELABORAÇÃO DO LUTO.

Por Wector Freitas




TRAÇADOS SOBRE A MORTE

Hoje se entende que o hospital é um ambiente no qual a vida se desenrola em seu cotidiano e que o psicanalista é um dos personagens que quase sempre estará participando dos momentos junto aos pacientes, famílias e amigos.
Entendemos que, a atuação do psicanalista, não se refere apenas à atenção direta ao paciente, junto às famílias e amigos, mas sim promovendo mudanças e atividades curativas e de prevenção ao seu sintoma. Como se vê a psicanálise no hospital é uma técnica que se propõe a trabalhar com o sofrimento do sujeito frente a seu sintoma e hospitalização, seu objetivo não é a cura, mas ajudar o sujeito para que ele tome nota de seu sintoma e aprenda a lidar melhor com sua passagem pela patologia.
A psicanálise foi criada por Freud em um hospital, partindo das observações e escutas constituídas de seus pacientes sobre as neuroses, desenvolveu as teorias psicanalíticas de investigação da mente humana; seus traumas, fobias, complexos, pulsões, conflitos e transtornos.
Assim, temos uma psicanálise, que se constrói a cada dia uma prática, uma técnica, que possibilita o surgimento da palavra naquele sujeito que sofre, ou seja, auxiliando no campo para que seu quadro não evolua. É neste sentido que a psicanálise se insere lidando diretamente com a subjetividade do sujeito, tornando-se possível um maior suporte de suas angústias.
Freud (1915), nos fala sobre a transferência e libido ao corpo do sujeito que padece de causas orgânicas.
“No que tange à doença orgânica, seguirei a sugestão verbal de S. Ferenczi de que devemos levar em conta a influência da enfermidade orgânica sobre a distribuição da libido. Todos sabemos e consideramos natural que o sujeito atormentado por uma dor orgânica e por incômodos diversos deixe de se interessar pelas coisas do mundo exterior que não digam respeito ao seu sofrimento. Uma observação mais acurada nos mostra que ele também recolhe seu interesse libidinal dos objetos de amor e que, enquanto estiver sofrendo, deixará de amar. Apesar da banalidade desse fato, não devemos deixar de traduzi-lo para os termos próprios da teoria da libido.Diríamos então: o doente recolhe seus investimentos libidinais para o Eu e torna a enviá-los depois da cura. “A alma inteira encontra-se recolhida na estreita cavidade do molar”, diz W. Busch sobre o poeta que sofre de dor de dente. Nesse caso, tanto a libido quanto o interesse do Eu têm o mesmo destino e são, mais uma vez, indiferenciáveis entre si. O tão conhecido egoísmo do doente abarca ambos. As pessoas acham esse egoísmo natural, porque sabem que em situação semelhante se comportariam da mesma forma.”
Segundo Valeska Pessato (2011), por meio da fala, é dada ao paciente a oportunidade de se conectar com ideias recalcadas que produzem os sintomas atuais. Assim, ele passa a ter uma nova compreensão desta memória. Supõe-se que, na medida em que o paciente mantêm ideias recalcadas de eventos ligados ao passado, este passado torna-se presente, uma vez que é constantemente atualizado através dos sintomas, quando a reação é reprimida, o afeto permanece ligado à lembrança e produz sintoma. Lembranças significativas que os pacientes relutavam em apresentar. As cenas trazidas à mente tinham, frequentemente, um efeito catártico.
A vida do ser humano está em constante mudança, o meio onde ele vive participa de tais mudanças. Para que o sujeito se adapte é necessário um tempo, mas, não significa que irá se adaptar, às vezes este ambiente pode lhe trazer uma grande dor, tristeza, ansiedade, depressão e outros problemas que impossibilita o sujeito de viver sem sofrimento. Sabemos que o mal-estar está presente em nosso dia a dia.
A construção de cada caso é feito a partir da representação que o paciente tem de seu próprio sintoma, em particular da sua patologia, envolvendo aspectos de sua formação cultural, social e individual, é de cada sujeito. Em certos casos o psicanalista irá encontrar situações onde a identidade do paciente é substituída, passando a ser identificado como um órgão doente, ou mesmo um número.
O sujeito se vê a beira de um precipício, já não há mais sentido de viver, a doença dominou sua vida, acabando com seus sonhos e desejos. Diante da família ele se vê em uma total inutilidade, aqueles sintomas o arrasaram como uma tempestade de verão, levando todos os teus sonhos e desejos para um leito de hospital. O sujeito perde sua total autonomia, tornando-se estorvo para si próprio, família e amigos. Naquele momento o sujeito torna-se inválido diante de seu olhar e do olhar do Outro.
Deve se estar alerta, principalmente, à maneira como o paciente reage frente ao seu diagnóstico. Como a vida psíquica e social interfere na dinâmica subjetiva do sujeito. O hospital é um lugar de experiências humanas muitas vezes extremas. Muitas vezes a fragilidade do corpo, com a dor, com o sofrimento são emaranhados junto às perdas e tristezas.
O psicanalista deve estar disponível para acolher o sujeito, escutar seus medos, suas fantasias em relação à possibilidade de perda, expectativas, sobretudo se a situação é de grande risco.
Em associação livre com alguns pacientes, nota-se um grande medo, “o medo da morte”, o medo de morrer sozinho, medo de alguém morrer ali do lado. O medo pode ser um fator pelo qual o paciente se angustia, nos relatos eles falam da morte de companheiros de quarto que morreram ali próximos a eles. Um medo inevitável, na qual a ansiedade toma conta do sujeito causando uma profunda dor na alma. Aprender a suportar este medo constitui um dos objetivos principais da análise aponta Ferenczi.
O novo e o desconhecido e algo que assusta todos nós. Como pensar no novo e no desconhecido sem pensar na morte?
A sociedade, ainda hoje considera a morte um tabu, um tema evitado, ignorado, postergado, fazendo com que vejamos a morte como algo que acontece com os outros e não conosco. O medo da morte é muito grande entre as pessoas, pois, nunca estaremos preparados para morrer ou ver alguém morrer. É preciso falar da morte!

ELABORAÇÃO DO LUTO

Em seu texto Reflexões para os tempos de guerra e morte, Freud (1915), nos fala de nossa atitude para com a morte, afirma que no fundo ninguém crê em sua própria morte, ou dizendo a mesma coisa de outra maneira, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade. “Quando se trata da morte de outrem, o homem civilizado cuidadosamente evita falar de tal possibilidade no campo auditivo da pessoa condenada. Apenas as crianças desprezam essa restrição e desembaraçadamente se ameaçam uma às outras com a possibilidade de morrer, chegando inclusive ao ponto de fazer a mesma coisa com alguém que amam, como, por exemplo: “Querida mãezinha, quando você morrer eu farei isso ou aquilo”. Dificilmente o adulto civilizado sequer pode alimentar o pensamento da morte de outra pessoa, sem parecer diante de seus próprios olhos empedernido ou malvado; a menos que, naturalmente, como médico ou advogado ou algo assim, tenha de lidar com a morte em caráter profissional.
Já o olhar do analista diante do sofrimento do sujeito deverá sempre fazer suas análises e supervisão.
Com as perdas as famílias e amigos sofrem, ficando toda desajustada, alguns membros adoecem por não conseguirem superar a perda. Sendo assim, o psicanalista atuará de uma forma à ajudar a família a se ajustar e em muitas vezes, preparar aquela família para a partida do ente querido que está prestes a morrer. Devemos trabalhar com a família a elaboração de seu luto; as suas dificuldades, os sofrimentos do sujeito, seus desejos, as formas de buscar a tranquilidade em si.
Em seu texto Luto e Melancolia, Freud (1915), aponta a diferença e os caminhos de estar em luto ou em estado de melancolia.
O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos de que essas pessoas possuam uma disposição patológica. Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos que seja superado após um lapso de tempo do inconsciente, e julgamos inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência de medicamentos em relação a ele.
Podemos perceber alguns traços mentais presentes no luto e na melancolia: o sujeito perde a capacidade de amar, perde total interesse pelo mundo externo, perde a vontade de qualquer atividade de sua vida, diminuição da auto-estima a ponto de encontrar a expressão em auto-recriminação e auto-envelhecimento sempre acompanhado de pensamentos de punição. Lembrando que todos estes sintomas estão presentes nas duas, mas que, apenas uma está ausente no luto que é a perturbação da auto-estima.
Roudinesco (1998), nos fala da diferenciação entre o luto e a melancolia.
Enquanto o sujeito, no trabalho do luto, consegue desligar-se progressivamente do objeto perdido, na melancolia, ao contrário, ele se supõe culpado pela morte ocorrida, nega-se e se julga possuído pelo morto ou pela doença que acarretou sua morte. Em suma, o eu se identifica com o objeto perdido, a ponto de ele mesmo se perder no desespero infinito de um nada irremediável.
Como vimos, Freud caracteriza o luto como a perda de um elo significativo entre o sujeito e seu objeto amado, portanto, um fenômeno mental e natural do processo de desenvolvimento humano. O sujeito necessariamente não precisa perder um ente querido, pode perder o objeto de seu desejo, tais perdas podem ser simbólicas ou reais.
Há casos de luto em que o sujeito passa a sofrer muito, pois, de alguma forma o desejo da morte do outro partiu de si mesmo.
Quando acontece tal fato seja a morte ou o desaparecimento, o sujeito se reprime manifestando um luto, recriminando-se, culpando-se incansavelmente pela perda ou morte, pela qual seu desejo foi direcionado seja consciente ou inconscientemente.
Freud (1915), como se nota o luto é um processo lento e doloroso, que tem como característica uma tristeza profunda, afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido, a perda de interesse no mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor.
Sabemos que o luto normal supera todas as expectativas de perda, o sujeito ao se deparar com situações relacionadas às lembranças de convivência coma àquela pessoa falecida, ou objeto perdido, se defrontam com a dura realidade de não estarem mais presentes em suas vidas. Sendo assim percebe-se que o objeto já não existe mais, na melancolia este objeto é introjetado. Através desta percepção há uma reação com a questão da perda, do desaparecimento que partilha de tal destino.
No luto necessita-se de mais tempo para que o sujeito passe pela aceitação da realidade da perda. Somente o tempo do sujeito irá sanar tal perda, através do tempo o ego consegue libertar sua libido do objeto perdido, direcionando sua libido para outro objeto de amor.
A morte está presente na vida de todos, para alguns mais cedo, para outros, de modo muito trágico, e para os privilegiados, de forma a corresponder com os grandes ciclos naturais da vida. O fato é que a morte interrompe um processo, modificando as possibilidades e os rumos dos envolvidos. Sabemos que a morte faz parte da vida, mas muitas vezes as pessoas negam, talvez pelo medo, talvez por estarem ocupados demais tentando sobreviver. Quando entendemos a morte como a outra face da vida, esta toma um novo sentido. Podemos efetivamente viver  e não somente sobreviver.
Geralmente a morte, principalmente de pessoas queridas, nos tira de nossa rotina de uma forma mais ou menos intensa, provocando questionamentos sobre a vida, principalmente sobre aquelas questões que adiamos a resolução.
A morte nos lembra de que tudo passa e que nada é para sempre, nos dá uma noção real de que o tempo anda, e não espera. É que a vida é passageira e que tudo que se inicia em certa vez terá seu fim. FIM!


REFERENCIAS

FREUD, S. A dinâmica da transferência. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XII. Rio de Janeiro: Imago, 1915.

FREUD, S. Reflexões para os Tempos de Guerra e Morte. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XII. Rio de Janeiro: Imago, 1915.

FREUD, S. Luto e Melancolia. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XII. Rio de Janeiro: Imago, 1915.

FOCHESSATO, Waleska Pessato Farenzena. A Cura Pela Fala. Estudos de psicanálise. Belo Horizonte, 2011. Disponível em: http//www.cbp.org.br/curapelafala36.pdf acesso em 06/12/2014.

ROUDINESCO, Elizabeth; PLON, Michael. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Editor Jorge Zahar, 1998.










sexta-feira, 28 de novembro de 2014

“Cumplicidade e responsabilidade.” 
“Uma visão da influencias destas no ambiente familiar”

Por: Autor: Gildásio Eustáquio Pinto


O que é a responsabilidade, senão o ato de ser responsável por aquilo que lhe é creditado. O que é a cumplicidade, senão o efeito de encobrir uma ação negativa de outrem. A ótica semântica desses dois termos opõe-se quando retratamos as relações familiares, permeadas por posturas, atitudes, incoerências e contradições.
            O que é paternidade? Aos olhos da poesia, mestra de nosso caminho, ser pai é uma dádiva, uma paixão vida afora. O primeiro olhar, o primeiro acolher é impactante. Forma e vigor. Entrega e partilha. Ser pai é pautar um caminho onde amor e dor andarão de mãos dadas, um ensinando o outro a lidar. Uma miríade de passos olhares, abraços. Abandono.
            Por outro lado, devemos esclarecer o objetivo deste artigo. Até onde pais são responsáveis pela formação moral, psíquica dos filhos ou quando não, exercem uma cumplicidade mórbida nas relações de seus filhos. Não é a cumplicidade do carinho, do afeto, mas sim aquela que vem ao longo dos anos elevando a estatística sobre ocorrências policiais.
            Pesquisando em jornais e revistas, encontraremos casos e casos sobre a violência praticada por adolescentes com colegas de classe e até mesmo contra seus próprios professores. Em muitos casos, pais ajudam os filhos nessas agressões.
            “Uma professora de história foi cercada e agredida pelos pais de uma aluna de 12 anos na       saída da Escola Estadual Antonio Miguel Pereira Júnior, no bairro Central Parque, zona oeste de Sorocaba (SP). A mãe, o padrasto e a própria aluna desferiram socos e pontapés na professora quando ela atravessava a rua para entrar no carro do marido, parado na frente do portão da escola. Jornal Estado de S.Paulo, 05/04/2013”
“Uma professora foi agredida com tapas no rosto dentro de sala de aula da Escola Estadual Rotildino Avelino, localizada no município de Coronel Fabriciano, na Região do Vale do Aço, em Minas Gerais. O motivo da agressão da estudante seria que a professora teria pego um bilhete que a aluna passava para uma colega da sala. O conteúdo do bilhete não foi divulgado”
Os casos acima são apenas a ponta de iceberg que se criando nas relações familiares. A falta de limites dos filhos. Pais não conseguem impor sua autoridade, não conseguem dialogar com seus filhos e partir daí, perdem o controle do ambiente familiar. De outra maneira, a delinquência infanto juvenil percorre o caminho da passividade, ou seja, os jovens não encontram um sentido para a vida e se envolvem no caminho das drogas.
Segundo Márcia Neder, em seu livro “Despostas Mirins (2012) a família vem perdendo sua capacidade de sustentação social a medida que seus pares ocuparam de outras funções, ou também as novas configurações familiares contribuem para que haja uma deterioração dos laços familiares. Para Márcia, esse fenômeno tem origem nos anos 1970 com abdicação do termo pátrio poder e consequentemente a entrada da mulher no mercado de trabalho, por consequência a luta pela paridade de direitos e por último um feminismo a solta na sociedade.
Também devemos salientar que nossa sociedade é impregnada por outros dois fenômenos, cada qual mais venenoso que outro: a intolerância e imediatismo. O comportamento das pessoas evidencia uma postura intolerante a medida que se observa as relações no transito, nas repartições, parece que todos querem resolver seus problemas sem medir as consequências. Por tabela surge o imediatismo. O sujeito quer uma panaceia que resolva de vez suas angústias e frustrações. Não querem se comprometer.
A repercussão disso na família. Há o caso de uma anedota, onde durante o jantar, a filha chorando diz que não é mais virgem. Segue uma discussão entre os pais, cada um culpando o outro pela situação, até quando a garota a explica: Não serei mais a virgem no teatro de natal, a professora me trocou. Quem pagou o pato?
Seguindo a lógico da intolerância e do imediatismo e observando o papel da pulsão na vida do sujeito, é que queremos contribuir com a nossa discussão. Saber das idiossincrasias norteadoras do pensar e agir do sujeito enquanto um ser individual e coletivo. Até onde é capaz de influenciar quem está a sua volta, principalmente, os filhos, de maneira positiva ou negativa, se caminha numa pulsão de vida ou pulsão de morte.

A autoridade exercida pela família determina o curso de vida do sujeito. Sem ou com ela, este estará fadado a descobrir por si próprio todas evidências de seu comportamento. Embora a psicanálise reconheça que a autoridade apareça e exerça um papel, queremos discutir se há uma ruptura dessa autoridade levando o sujeito a uma divisão. Segundo Freud, o sujeito se divide, ao tornar-se sujeito como processo de defesa do ego.
O narcisismo contemporâneo inquire novas vias de contato, relação e interação com aquilo que chamará de autoridade. Sabemos que a ameaça da castração é uma barra, um princípio de autoridade, força o sujeito a posicionar em mundo. Daí, o princípio de autoridade se constitui, se instala, e o sujeito consegue trabalhar seus entornos e contornos com habilidade psíquica.
Nisso a posição do sujeito reflete a entrada ou atuação do superego. Este como instância coercitiva reveste de uma condição de culpa perante seus atos. Essa condição estabelece que sujeito vai agir e reagir numa onda, de acordo com a sua posição.
Dentro do ambiente familiar, quando os pais assumem com responsabilidade a formação de seus filhos, o percurso da criação e educação, princípio universal – o pátrio poder – se traduz nos fenômenos das pulsões, de vida e de morte. Uma como a outra são verso e reverso de uma mesma moeda. Uma criança atenta ao olhar do paterno tende a revelar seu comportamento, como esse se direciona, os afetos vida afora.
A cumplicidade com esse olhar será o viés de atuação na criança em suas redes sociais. Acatará as ligações como uma estrutura de poder. Não é o caso de uma obediência nem de uma disciplina, mas como acatar e atender essa forma de expressão
A novidade será uma condição de deleite, ou seja, o olhar expressará um gozo em todo qualquer momento ou contato com mundo exterior. De dentro para fora, autorização e no caminho inverso de fora para dentro, o afeto.
Vejamos o caso de Paulo (nome fictício) 11 anos, filho de pais solteiros. O pai não consegue introjetar a autoridade e desdenha da posição do pai. O menino desloca seu olhar conforme sua conveniência e reproduz seu comportamento de acordo com aquilo que é seu deleite. Não há uma inscrição de pertencimento.
Outro caso bastante proveitoso, recente, um menino de 11 anos, se põe a brincar próximo da jaula de um tigre. A ousadia do menino extrapola toda recomendação de segurança, ao olhar do pai tudo está normal. Os excessos do menino não foram coibidos pelo pai, ausência de um símbolo na força da lei, a autoridade. Sem como advertir, o resultado foi o ataque do tigre.
Marcia Neder traduz esse comportamento como de um déspota mirim, onde foge a responsabilidade como medida de segurança e emerge uma cumplicidade mórbida do pouco que pode fazer. Registro a opinião do veterinário do zoológico – quando falha a autoridade familiar, paterna em vão é toda segurança técnica.
Nesse caso, podemos fazer o conceito de dissidência – a ação ou estado de espírito de quem rompe com autoridade estabelecida, não implicando uma ideia de separação ou divisão – Disso chegar uma conclusão de que responsabilidade ou cumplicidade no âmbito será o mesmo de traduzir um pensamento de Sobral Pinto: “Aprendi a defesa da autoridade sem prejuízo da liberdade, autoridade sem liberdade é ditadura, opressão; liberdade sem autoridade é libertinagem”
Destarte, acrescentamos outra ideia. A psicanalise indica um suposto saber, o apontamento da falta como raiz de construção da libido, mas aqui chegamos a ideia de um “suposto lugar”, o lugar do olhar, o lugar social, o lugar privado do ambiente. O pátrio poder – a palavra não pode ser contestada, se for há ruptura. Em algum lugar, o suposto lugar implicará o protagonismo do contorno da lei. O lugar do pai é incondicional um suposto lugar que ora pode ser representado até mesmo num objeto transacional, numa alusão a Winnicott.
Cumplicidade não é apontar ou tamponar uma falta. Se a responsabilidade é intransferível, a cumplicidade é a maneira de transferir ou ocupar um suposto saber ou suposto lugar. Quando, na díade – pai/filho – a estrutura se comunica através de como a responsabilidade e cumplicidade vão dividir as posições de autorização e afeto, como numa gangorra. As duas juntas estarão em equilíbrio, com o isso o sujeito fica suspenso, paralisado, é preciso a movimentação de ora uma, ora outra alternando no psiquismo do sujeito formas de introjeção e projeção, efeitos narcísicos sobre a dimensão do ego. Ratificando, a defesa do ego é a própria constituição do sujeito, sua implicação com a realidade e com as fantasias que o protegem num jogo de responsabilidade e cumplicidade.



Referencias:
01 – Bacha, Márcia Neder. Déspotas Mirins o poder nas novas famílias. São Paulo; Zagodoni Editora, 2012.
02 – Faria, Durvqal Luiz de. O Pai possível: conflitos da paternidade possível. São Paulo. EDUC Fapesp. 2003.
03 – Castro, Edileide. Afetividade e Limites, uma par5ceria entre a família e a escola. Rio de Janeiro. Wak Editora. 2012. 4ª Ed.
04 – Makilin Nunes Batista, Maycon L.M. Teodoro. Psicologia de Família – Teoria, avaliação e intervenção. Porto Alegre. Artmed. 2012
05 -- Obras Completas de Sigmund Freud

domingo, 28 de setembro de 2014


O NARCISISMO NA CONTEMPORANEIDADE

Por Hélio Ferreira

Imagem: Narciso (1594-1596), por Caravaggio.


“Debruçado no lago Narciso, surpreso, se vê amado” - Eugénia Tabosa
O Narcisismo, em psicanálise, representa um modo particular de relação com a sexualidade. É um conceito crucial no seu desenvolvimento teórico. O narcisismo é um protetor do psiquismo e um integrador da imagem corporal, ele investe o corpo e lhe dá dimensões, proporções e a possibilidade de uma identidade, de um Eu. O narcisismo ultrapassa o auto-erotismo e fornece a integração de uma figura positiva e diferenciada do outro.
 Em seu texto À Guisa de Introdução ao Narcisismo, Freud, diz que o termo narcisismo designa inicialmente o comportamento de um indivíduo que trata seu próprio corpo como um objeto sexual. O seu corpo absorve, nesse comportamento, toda a energia sexual.
Eliana Rigotto Lazzarini e Terezinha de Camargo Viana em seu artigo: Ressonâncias do narcisismo na clínica psicanalítica contemporânea, nos dizem que diagnósticos cada vez mais frequentes de depressão, drogadicção, anorexia, bulimia e síndromes mais complexas constituem reflexos de uma cultura que passa por momentos de indefinição e mudança com relação a valores sociais rompendo com aspectos que eram considerados primordiais desde tempos anteriores. Pode haver uma falha básica na constituição do eu narcísico ou mesmo nas instâncias ideais desses sujeitos, ou seja, uma falha no recalcamento primário atribuída a uma espécie de insuficiência (ou ineficiência) dos cuidados maternos na primeira infância. Como consequência, a escolha do objeto (o outro da relação) se daria com base na eleição narcisista na qual ocorre a identificação. Na impossibilidade de escolha do objeto externo elege-se o objeto a partir da imagem e semelhança do próprio eu transformado em seu próprio ideal que se converteu em substituto do investimento erótico. Supõe-se que é pela identificação narcisista com o objeto que o investimento libidinal retorna ao eu não se direcionando ao objeto externo como esperado ficando, portanto, estagnado. A impossibilidade do estabelecimento dos processos terciários não poderia se dar e consequentemente a saída da condição narcísica para a condição edípica, substrato da alteridade, também não se daria.
As desordens narcisistas são mais coerentes com uma sociedade permissiva e também mais eclética em suas manifestações, como a que vivemos na atualidade. Como observa Lipovetsky (2005): “A patologia mental obedece à lei da época (...): a crispação (contração) neurótica foi substituída pela flutuação narcísica” (p. 55).
Na atualidade percebe-se haver um deslocamento da função paterna. Até pouco tempo atrás, na ausência de um “pai” que exercesse o papel de lei e proteção, o mesmo era exercido pelo estado ou pela religião. Na contemporaneidade nem o estado, nem a igreja conseguem fazer mais este papel. Hoje, qualquer eleitor pode e deve discordar de palavras ou atos de seus governantes, quando estes não lhe agradam. Para católicos  a palavra do papa já pode ser contestada. As novas configurações de um mundo cada vez mais narcísico, globalizado e consumista, deslocaram a função paterna para a ciência, o capitalismo e a tecnologia. Porém o nome do pai está a deriva, e quando o nome do pai está a deriva o sujeito também está.
Para reconhecermos uma consequência do deslocamento do nome do pai, e consequentemente de uma nova forma de narcisismo que vem se apresentando no mundo, é só voltarmos nosso olhar para as redes sociais. Ali observaremos um funcionamento narcisista por grande parte de seus participantes onde a fronteira marcada entre o que é público e o que é privado já não existe. Embora estes sujeitos tenham pouca capacidade para perceber o outro,  há uma exagerada preocupação com a sua própria aparência, apresentam uma grande necessidade de serem amados e admirados, almejam “curtidas” e elogios e se sentem inferiores e infelizes quando criticados ou ignorados. A todo momento busca-se o olhar e o reconhecimento do outro.  Levando-se uma vida emocional superficial. Um Narciso empobrecido de linguagem, mas rico de olhares, imagens e amigos virtuais.
Eliana Rigotto Lazzarini e Terezinha de Camargo Viana no artigo citado a pouco,  nos perguntam: nos dias de hoje, o que podemos dizer de uma sociedade como a nossa que se vê compelida por uma revolução calcada nos avanços científicos e tecnológicos, muitas vezes, em descompasso com a possibilidade de apreensão imediata pelo indivíduo; uma sociedade competitiva que pode gerar o empobrecimento da experiência coletiva e valorizar os interesses e as demandas íntimas. Que bases essa sociedade estaria oferecendo para a constituição da individuação/subjetivação? E mais, o que dizer dos sujeitos, estes não estariam sendo sobrecarregados e prejudicados pelos padrões de eficiência dessa  sociedade altamente desenvolvida? E qual o destino desse sujeito?  Nos momentos de indefinições, de grandes e rápidas mudanças o sujeito esboça um movimento regressivo, um movimento narcísico direcionado a si próprio, ou seja, o eu deste sujeito se comporta como objeto de seu próprio investimento o qual se caracterizaria por uma idealização de si, uma forma de se sentir pleno. Pensamos que o destino do sujeito hoje, em nossa sociedade, seria uma volta a si marcada pelo retorno à constituição da perfeição narcísica e a proteção e satisfação da vivência simbiótica com o objeto primordial alojado dentro de si. São sinais inerentes a essa subjetivação o stress a depressão e uma inclinação à angústia e ansiedade mais profundas causadas pelo desapego da coisa externa. Nesta condição, o sujeito vê ameaçado seu projeto de vida pela impossibilidade de poder vivenciar plenamente suas experiências.
O publicitário João Matta em seu texto: Narcisismo e a sociedade do espetáculo: o ideal do ego no mundo contemporâneo, nos diz que o narcisismo... pode ser, ao invés de um sinônimo de uma sociedade individualista e egoísta, uma importante porta de saída para o sujeito atual, oprimido a gozar o tempo todo a partir do consumo imposto pela moda.
Certas formas de pensamento chamam a atenção porque fazem uma nova cartografia da subjetividade e do mal-estar  na contemporaneidade. O cultivo da alma foi deixado de lado sendo o cultivo do corpo nosso bem supremo. Estamos vivendo em uma cultura com características crescentemente narcisistas; onde há um predomínio do uso da imagem de ação em vez da reflexão para lidar com a ansiedade e um incentivo exagerado ao consumismo e ao culto ao corpo. O corpo é o cenário onde nosso mal estar se apresenta. Quando não se consegue falar ou pensar sobre as intensidades pulsionais, tende-se a dar vasão a estas intensidades através da ação, ou sobre o próprio corpo. Porém, devido a questão narcísica o sujeito inconscientemente opta “explodir” pela ação. Neste caso o sujeito tem dificuldades de simbolizar suas questões, e marcado pelo narcisismo negativo encontra suas saídas pela pulsão de destruição, sendo impulsionado a cometer atos marcados pela agressividade e criminalidade. Prevalecendo a ausência de pensamento e linguagem.
Como no Mito do Narciso, o paciente com esse tipo de funcionamento constrói sua sensação de engrandecimento da auto-estima através de uma intensa desvalorização, rejeição e abandono dos objetos. E sobre a base dessa rejeição que o organismo se estrutura. (Lewkowicz, 2005).
Ainda assim a psicanálise demonstra que há o narcisismo saudável e necessário, que seria uma das fases essenciais no desenvolvimento da libido. O narcisismo não constitui por si só uma patologia, ele é um integrador e protetor da personalidade e do psiquismo.
Em uma sociedade cada vez mais individualista, com sujeitos que se vem obrigados a gozar o tempo todo, faltam palavras e sobram atos. A psicanálise nos convida a trabalhar no sentido da escuta do sofrimento e do mal estar destes sujeitos, considerando suas subjetividades e auxiliando-os na elaboração de novas formas de subjetivação. É fundamental que os mesmos encontrem meios de contenção e simbolização do excesso pulsional, para que se torne cada vez menos intensa a pulsão de destruição (seja através de práticas sádicas ou masoquistas).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ELIANA RIGOTTO LAZZARINI; TEREZINHA DE CAMARGO VIANA ; Análise Psicológica (2010), 2 (XXVIII): 269-280; Ressonâncias do narcisismo na clínica psicanalítica contemporânea.
FREUD Sigmund. Introdução ao Narcisismo ensaios de Metapsicologia e outros textos (1914 1916) In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago
FREUD, Sigmund (1996). O mal-estar na civilização. In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago.

MARIO ROSSI MONTI; Contrato narcisista e clínica do vazio Mario Rossi Monti Rev. latinoam. psicopatol. fundam. vol.11 no.2 São Paulo June 2008.


domingo, 21 de setembro de 2014

FATIAS DE ANÁLISE: DESASSOSSEGOS DO INCOMPLETO!

FATIAS DE ANÁLISE: DESASSOSSEGOS DO INCOMPLETO!
Por Eduardo Lucas Andrade

Fale! Esta é a base da regra fundamental da psicanálise, a base da associação livre que foi ensinada à Freud por uma paciente. A psicanálise tornou-se a clínica do detalhe, dos extravios pelos rechaços do inconsciente, dos escapes e errâncias incompletas do desejo impossível de ser realizado como um todo. Avançando em fatias a psicanálise começou a apostar em uma escuta de cunho estrutural, no suposto saber do psicanalista e na história de vida do paciente. Desde Freud a psicanálise foi atiçada pelo desassossego do incompleto! Freud propunha-nos a pinçarmos os piores demônios do fundo da mente e convocá-los a uma conversa. Apostar na associação livre é saber que somos reféns e senhores de fatias de nossa história de vida. É saber que somos seres fatiados, viventes do momento. E assim, como Freud fazia em sua teoria, fatiando-a em cartas, escritos e descobertas, o grupo de estudos Fatias de Análise busca investigar o inconsciente e promover um saber fazer com o incompleto.
Analisar, o que é isto? É algo impossível, segundo Freud. É algo que trabalhando com a delicadeza da vida mental assemelha-se ao trabalho da análise química; ambos trabalham com materiais explosivos e por isto o analista caminha suave, com a cautela antes do gozo, conforme propôs Freud. Analisar é, antes de tudo, promover espaço para o inconsciente, é apostar no inconsciente como abertura de vida, é, saber que ainda que arruinados pelo êxito podemos avistar urdiduras de um desejo não anônimo! É fazer falar o que faz sofrer, o que faz viver, o que nos faz ser. Para isto é preciso saber respeitar o atemporal de cada um, acolher e promover transferência, para que aos poucos, de fatias em fatias, se possa suportar aquilo que angustia. Falar, faz as coisas ficarem claras, faz as coisas existirem e o inconsciente ama Isso.
Tranche d`analyse! Este termo francês que representa fatias de análise, lasca analítica, análise em pedaços, é necessário para se pensar a vida psíquica e o trabalho clínico da psicanálise. O inconsciente é repleto de fatias da vida de cada um, fatias tenazmente condensadas entre si. São conjuntos de registros em fragmentos que guarda a verdade impossível de ser dita por completo. Operar o inconsciente pela escuta flutuante e aposta na palavra é de caráter cirúrgico, tendo que, por vezes, aguardar um tempo entre uma ou outra seção de análise. Um tempo para que as pulsões consigam encontrar novas formas de ficarem à deriva. Acontecimentos podem marcar, em caráter de surpresa, um desassossego no 'reino do ilógico', colocando o sujeito novamente a demandar análise, e é assim, que recebemos cotidianamente em nossos consultórios senhores desalmados de seus desejos, ainda que estes já tenham experiência de análise. A psicanálise arquiteta sua escuta no flutuante. A escuta flutuante, esta escuta que pinça fatias preciosas dos dizeres, é uma escuta que mantêm desperta a posição do analista que deverá estar abstinente de seus julgamentos, desnudado de preconceitos e comprometido com as sutilezas do inconsciente daquele que foi convidado a expressar como lhe convir. É este tipo de escuta que convoca o inconsciente. O inconsciente ama aquele que lhe dá voz! Pra que esta escuta seja possível Freud alertou aos analistas quanto à necessidade da supervisão e de tempos em tempos estarem se submetendo a tranches de suas próprias análises. Afinal, analistas também sonham!
Interpretação dos sonhos foi um marco teórico e prático importantíssimo para os estudos da psicanálise. Foi lá que Freud descobriu que o material registrado em nossa história de vida é um material fragmentado, fatiado, e que este material pode se deslocar, condensar e manifestar-se nos dizeres; são as manifestações do inconsciente. O inconsciente se manifesta é por Fatias! Na sutileza dos atos falhos, nos sentidos dos sintomas, na causalidade chistosa, no obscuro dos atos, nos gozos do corpo e na realização alucinada de desejo nos sonhos. Cada uma destas manifestações teve a atenção de Freud em épocas diferentes. A obra freudiana foi constituída em Fatias, com desdobramentos marcantes em diferentes datas e acontecimentos. O movimento psicanalítico ainda nos dias de hoje segue em sua incompletude desassossegando construções teóricas e clínicas. A cada novo caso, nova incompletude. Um ato inquieto é o que marca a eficácia analítica que nada garante.
Ato de Psicanálise; é esta a lógica do grupo de estudos Fatias de Análise, que reconhece a necessidade de uma formação atemporal, interminável e sempre renovável por parte do analista. Nesta lógica buscamos fazer um movimento que não seja um movimento retilíneo uniforme, mas sim um movimento de desejo, de escuta, encurvado, alucinado, flutuante, ainda que embasado na esfera de interesses; interesses de fazer a diferença absoluta. Fornecendo espaço para estudo e escuta o grupo de Estudos Fatias de Análise promove construções sempre atentos aos jogos de lugares e poderes, pois além de fálicos os lugares são sempre tronos sexuais! Não nos deixemos seduzir, o que buscamos é movimentar o estudo, diálogos e transmissão da psicanálise.

Sexualidade é algo parcial, pulsional, que promove a perversão de cada um, uma perversão polimorfa, foi o que nos ensinou Freud. Neste ritmo, nas fatias da sexualidade, o Grupo de Estudos Fatias de Análise convida aos interessados em compartilhar de sua libido, descendo do salto narcísico, uma polimorfia da transmissão e diálogos da psicanálise. Assim caminha o Grupo de Estudos Fatias de Análise, desassossegado pelo incompleto!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: OBRAS COMPLETAS DE SIGMUND FREUD

domingo, 7 de setembro de 2014

Fatias de Análise Apresenta:


...II Roda de Conversas Fatias de Análise!

Tema: "Pulsão e Morte na Vida Cotidiana"

Dia 20 de Setembro em Divinópolis-MG

"Vagas Limitadas!"



Fatias de Análise

Fatias de Análise! Origem do nome: tudo começou com encontros semanais programados para uma boa prosa. Éramos uma turma pequena e comprometida com a causa analítica, reflexões filosóficas e questões sociológicas. Os encontros, promovidos pela desejo e pela palavra, ocorriam em uma pizzaria. Até que em um surto de lucidez nos veio um 'Insight' e resolvemos utilizar daquele espaço, daquele laço e daquele tempo para estudar Freud. Destes encontros nasceu ainda a ideia de espalhar os estudos e produções para construções de diálogos, e, quando percebemos, já éramos um grupo de estudos em psicanálise. E foi assim que nasceu o; Fatias de Análise!